Educação está sempre mal?
Eu ia com a curiosidade científica debruada pela expectativa de conversar com quem tinha escrito os Cadernos de Iniciação Científica (reeditados pela Relógio D’ Água em 2004), por onde aprendi e alicercei fundamentos de boa ciência, e que ainda hoje me são úteis. O António Vilhena, então aluno de Química, levava a sua sensibilidade poética atenta para ouvir o António Gedeão, a sua Pedra Filosofal e explorar os seus Poemas Póstumos, nessa altura recém-publicados.
Fomos recebidos com a cortesia, humildade e respeito que os grandes mestres pedagogos concedem a quem quer aprender, a quem não tem medo de fazer perguntas, oriundas da curiosidade, da atitude crítica mais genuína porque à procura de conhecimento e de verdade. Mesmo que a verdade seja o não ter certezas absolutas, porque é na precisa medida da incerteza estabelecida que o conhecimento científico se robustece com honestidade e probidade intelectual.
Entre versos e medidas científicas, a tarde deslumbrava com o falar do professor/poeta. Concedeu-nos uma entrevista solta, ainda inédita, mais em jeito de conversa sem rumo previsto mas com pontos cardiais, tantas eram as perguntas para tantas outras respostas ou comentários que ainda hoje nos acompanham, apesar de insuspeitos da perenidade da nossa vida.
Mas afinal, será próprio da Educação este estar sempre mal? "
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